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Profissionais do sexo que fazem programas em Vilhena falam de atividade lucrativa, mas cheia de perigos

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Duas profissionais do sexo que atuam em Vilhena foram entrevistadas FOLHA DO SUL e revelaram detalhes da profissão para a reportagem do semanário.

Como há limite de caracteres nos textos publicados no jornal impresso, algumas das revelações feitas pelas meninas ficaram de fora da reportagem e, por isso, parte do conteúdo está sendo publicada na versão eletrônica. As moças, que foram localizadas em um site de acompanhantes de todo o Brasil, estavam de passagem por Vilhena, cidade que elas dizem ser lucrativa, tanto que já é a terceira vez que passam por aqui.

Inicialmente, com medo de falar, elas preferiram marcar a entrevista em um local público, com grande circulação de pessoas. E assim foi feito. No encontro, elas disseram que estavam na cidade havia cinco dias, mas partiriam naquela tarde.

O tempo que permanecem em cada lugar é relativo. Desta vez, mesmo sabendo que o mercado é forte em Vilhena, elas ficaram pouco, porque vinham de uma temporada no Nordeste e seguiriam para a cidade de Ji-Paraná. “Às vezes permanecemos 15 ou 20 dias, mas como estamos em uma jornada longa, não vamos ficar mais”, disse uma das garotas, identificada na página como “Mineirinha”, cuja foto ilustra esta reportagem.

Ela, que é de Belo Horizonte, em Minas Gerais, estava acompanhada pela amiga Tainá, que é da capital de São Paulo. Tainá, inclusive, é casada e contou que o marido tem conhecimento de seu trabalho, mas não impede que ela faça. Já as famílias do casal não têm conhecimento do fato.

Aliás, durante a entrevista elas ainda disseram que aos clientes não dão detalhes de suas vidas pessoais. “Quando questionam muito, eu pergunto se estou em uma entrevista de emprego”, riu uma delas.

Enquanto a primeira, a mineira, está na profissão desde 2017, a segunda iniciou no ramo em 2012. “Tem as idas e vindas. Você começa com o trabalho, depois arruma um emprego formal e não trabalha com programa mais, e aí você fica desempregada e volta”, revelaram.

Outras questões também são pontuadas. Mineirinha, por exemplo, vê no ofício uma possibilidade de viajar. Já amiga disse que a acompanha pelo “embalo”. “Ela é minha informante e diz em qual lugar é legal, e nós vamos”, disse Tainá. “Eu nunca pensei na minha vida em conhecer Rondônia, mas gostei muito. É um Estado organizado, e a cidade que mais gosto é Vilhena”, completou a moça de Minas Gerais.

O site usado para contatá-las tem sido uma das ferramentas mais úteis para o ramo, além de passar segurança ao cliente e às garotas. Elas revelam que, por essa questão, muitos homens têm deixado de freqüentar as boates, porque além de ter a possibilidade de serem vítimas de golpes, eles são expostos ao público dos locais.

“Hoje em dia os caras não querem mais ir aos bares. O que acontece muito em boates é que os donos e as meninas sacaneiam com os clientes: às vezes clonam cartão, colocam drogas na bebida e cobram coisas indevidas. Se o cara consome duas cervejas, por exemplo, a boate cobra quatro”, revelou uma delas.

Ainda no âmbito da discrição, por cautela, alguns homens casados pedem que elas não usem perfume ou qualquer outro cosmético que possa deixar cheiro pela pele. E, dependendo do cliente, até as maquiagens são evitadas para não deixar manchas nas roupas.

A segurança delas também é visada, e ambas atendem em hotéis, onde há seguranças e pessoas o todo tempo, e o risco de se tornarem uma vítima dos clientes é menor.

“Uma vez fui atender um cara, e ele não avisou que estava com um amigo. Quando cheguei lá, levei um susto. Ainda bem que foram bacanas comigo, mas poderiam ter feita alguma sacanagem. É muito perigoso”, relembrou a mineira, que já viu de perto os riscos que essa vida lhe oferece.

Ela citou, inclusive, casos que presenciou na Zona Boêmia em Belo Horizonte, um dos principais pontos de prostituição do país. O local reúne muitos hotéis, onde profissionais do sexo atendem dia e noite, mas que também tem relatos de violência contra mulheres que resolvem arriscar nessa profissão. “Lá, muitas são mortas. Umas porque usaram droga e não pagaram, outras por terem maltratado ou roubado um cliente. Ele faz o quê? Volta lá e mata”, revelou.

Já sobre o mercado do sexo em Vilhena, apesar de lucrativo e render até 10 clientes por dia, um problema que as garotas de programa têm enfrentando é o número de perfis fakes criados no catálogo onde elas oferecem seus serviços. Na lista de meninas de Vilhena há mais de 100, mas nem todas estão ativas, e algumas usam fotos de outras pessoas.

“Aqui em Vilhena era melhor de trabalhar, mas os perfis fakes quebraram muito a cidade”, reclamaram.

Segundo elas, isso atrapalha quem trabalha com a verdadeira identidade, porque os clientes acham que podem estar sendo enganados e ficam inseguros ao contratar os serviços.

As meninas dão a dica: se alguém contratar uma profissional no sexo, mas na hora se deparar com alguém diferente da foto, não é obrigado a fazer o programa. “Ele pode ir embora e não precisa pagar”, aconselharam. Elas acrescentaram que, nesses casos, é importante denunciar o perfil para que eles sejam excluídos da rede e não apliquem golpes em outras pessoas.




Fonte: Folha do Sul
Autor: Jéssica Chalegra

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